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Idéias - José Arbex Jr.


  13/4/2009  As bombas químicas de Israel

A primeira explicação fornecida pelo ministério da Defesa israelense não convence ninguém: o fósforo teria sido usado pela artilharia, apenas para criar uma cortina de fumaça, com o objetivo de proteger as tropas em movimento. Se fosse mesmo isso, ninguém teria jamais encontrado restos de bombas de fósforo ainda fumegando nas ruas de Gaza. Não há nada, absolutamente nada que possa justificar o uso de tais bombas contra a população civil ou sequer contra militantes do Hamas. Mesmo aqueles que apóiam a invasão de Gaza (em número cada vez menor, dentro e fora de Israel, aliás) terão que mobilizar uma alta dose de cinismo, sangue-frio e desprezo pela vida para apoiar o inimaginável. Como não evocar, nesse ponto, a lembrança dos atos praticados pela Alemanha de Adolf Hitler? A verdade é que o uso da bomba de fósforo apenas ilustra, de forma clara, inequívoca e explícita a lógica da punição coletiva do povo palestino adotada pelo governo israelense. Um manifesto de intelectuais, artistas e personalidades judias, publicado no jornal britânico Guardian, em meados de janeiro, coloca muito bem a questão, ao comparar o ataque a Gaza ao cerco nazista do Gueto de Varsóvia:
"Nós que firmamos abaixo somos todos de origem judia. Quando vemos os mortos e os ensanguentados corpos de crianças pequenas, os cortes de água, de eletricidade e de comida, lembramos o cerco ao Gueto de Varsóvia. Quando Dov Weisglass, assessor do primeiro ministro israelense, falou em pôr os habitantes de Gaza ´para fazer dieta´ e o vice-ministro de Defesa, Matan Vilnai, falou que os palestinos iam experimentar ´uma maior shoah´ (um maior holocausto), isso nos lembra o governador-geral Hans Frank, na Polônia ocupada pelos nazis, que falou de ´morte pela fome´. O verdadeiro motivo do ataque a Gaza é que Israel só deseja tratar com os colaboracionistas. O principal crime de Hamas não é o terrorismo, mas sua negativa a se converter num fantoche em mãos do regime de ocupação israelense na Palestina.” Assinam o documento, entre outros, a atriz Miriam Margolyes; a estilista Bella Freud, neta de Sigmund Freud; o advogado Ben Birnberg; o cineasta Haim Bresheeth; o líder sindicalista Tony Greenstein; o arquiteto Abe Hayeem; o filósofo Les Levidow e a israelense Yehudit Keshet, entre muitos outros.
Muito se especula sobre os “verdadeiros objetivos” do ataque a Gaza, pois poucos acreditam, de fato, que se tratava de uma operação para liquidar o Hamas (algo impossível de ser feito, como, aliás, demonstrou o monumental e trágico fracasso do ataque ao sul do Líbano, promovido em 2006, com o objetivo de liquidar o Hizbolá). Para alguns, foi uma jogada meramente eleitoral: os atuais governantes pretenderiam demonstrar que ainda têm capacidade de mobilização e fogo, apesar do fiasco de 2006. Para outros, é parte de uma operação iniciada em 2005 por Ariel Sharon, com a retirada dos 8 mil colonos judeus (ilegais) de Gaza, ao mesmo tempo em que assentava 12 mil novos colonos (ilegais) na Cisjordânia: tratar-se-ia de impor unilateralmente as fronteiras do estado de Israel, inviabilizando um estado palestino que teria como base a Faixa de Gaza destroçada e uma Cisjordânia entrecortada pelo novo (e ilegal) Muro da Vergonha. Outros, ainda, acreditam tratar-se de uma demonstração de determinação para Barack Obama: Israel demonstra que não está disposta a fazer concessões, a um presidente que, em 2003, quando senador, opôs-se à invasão do Iraque.
Quaisquer que tenham sido as motivações do ataque a Gaza – provavelmente, uma mistura de vários e múltiplos interesses -, a sua brutalidade impensável isolou ainda mais o estado de Israel no mundo. Hoje, apenas os muito desinformados ignoram que Israel foi o grande arquiteto do nascimento do Hamas (projetado pelos brilhantes estrategistas do Sion como um meio de minar o poder de Iasser Arafat, nos anos 80), e que foram as condições desumanas impostas por Israel aos quase dois milhões de palestinos que vivem em Gaza que estimularam o fundamentalismo e deram ao Hamas a influência que hoje ele exerce. Apenas os tolos – ou os fanáticos, o que dá na mesma – negam o projeto expansionista da Grande Israel e suas ações neocolonialistas e ilegais. É uma lógica que conduziu os sionistas ao extremo de usar bombas de fósforo branco contra a população árabe palestina. O terrorismo do Hamas é brincadeira de criança, quando comparado ao assassinato em massa de mulheres e crianças palestinas praticado pelo “exército de defesa” da Israel.
Adolf dá gargalhadas.

Por José Arbex Jr.

 

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