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Idéias - José Arbex Jr.


  1/6/2001  Israel: terrorismo para exportação

A Polícia Militar do Paraná é formada nas escolas de repressão de Israel, que impõe aos palestinos colônias ilegais condenadas pela ONU. Por isso, o governador Jayme Lerner não é só um inimigo do povo brasileiro, mas de toda a humanidade. A comparação entre a brutal repressão da PM brasileira contra o MST à praticada pelo o Exército israelense contra os palestinos é feita pelo filósofo israelense Sérgio Yahni, durante o Tribunal Internacional dos Crimes do Latifúndio e da Política Governamental de Violação dos Direitos Humanos, realizado em Curitiba, nos dias 2 e 3 de maio. Yahni foi um dos nove jurados, que incluíram o jurista Hélio Bicudo, o sociólogo americano James Petras, o ganhador do Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel e a senadora Heloísa Helena.

Ao afirmar que os policiais brasileiros estão sendo treinados em Israel, Yahni não estava utilizando um recurso retórico. A seguinte notícia, publicada no dia 19 de abril por um jornal do Paraná mostra que o programa de treinamento está, de fato, em curso:


“Seis oficiais da Polícia Militar do Paraná iniciam no próximo sábado (21 de abril), em Israel, um curso avançado de operações especiais e táticas anti-terrorismo. O curso será realizado na IMI Academia, uma das mais avançadas do mundo no combate ao terrorismo, localizada em Karmy Yosef, cidade próxima a Jerusalém. A IMI pertence ao governo israelense.

Serão 17 dias de atividades em três turnos (manhã, tarde e noite) para 20 alunos brasileiros, vindos de várias partes do País. Todos os alunos pertencem a alguma instituição policial, seja Polícia Militar, Civil, Federal ou das Forças Armadas. A delegação brasileira viaja nesta quinta-feira (19), às 14 horas.

Um dos integrantes da delegação brasileira, o tenente coronel Itamar dos Santos, comandante do Regimento de Polícia Montada do Paraná, vai fazer um aperfeiçoamento, pois já freqüentou o curso em 1992. Com mais esta fase de treinamentos, Santos poderá ser instrutor no Brasil e colocará as técnicas aprendidas à disposição dos alunos da Academia Policial Militar do Guatupê. ‘Os policiais brasileiros dominam as técnicas de abordagem e de ações anti-terror utilizadas pelos Estados Unidos e agora teremos contato com as técnicas de Israel’, afirma.

Entre as disciplinas ensinadas por ex-comandantes das tropas de elite do Exército de Israel estão gerenciamento de crise; resgate de reféns e combate a rebeliões; explosivos e medidas de contra-sabotagem; técnicas de rapel aplicadas a entradas táticas; krav maga (arte marcial israelense que possui características de quase todas as outras artes marciais); tiro ‘sniper’ (atirador de elite posicionado em situação estratégica) e combates em ambientes confinados.

‘Este aprendizado será de grande importância para a Polícia Militar do Paraná, pois poderemos difundir entre nossos policiais o que há de mais recente em técnicas de gerenciamento de crise e abordagens táticas’, explica o tenente coronel Itamar dos Santos. Além de Santos, que é tenente coronel, também estão indo para Israel um major e quatro tenentes da Polícia Militar paranaense.”

Considerando-se o fato de que a PM do Paraná é uma das mais violentas do Brasil, e que suas táticas contra o MST são consideradas uma espécie de “laboratório” para futura aplicação em outras regiões, a notícia não é nada tranqüilizadora para aqueles que defendem os direitos humanos. Ainda mais quando se recorda das barbaridades cometidas pelas tropas israelenses contra mulheres e crianças palestinas. O tom alarmista de Yahni, portanto, tem sólido fundamento.

Mas a assistência israelense aos órgãos de repressão brasileiros não se limitam à sua participação oficial em treinamento de policiais. Advogados vinculados à Pastoral da Terra da Igreja Católica e ao MST reuniram evidências, por exemplo, de que os maiores latifundiários do Pontal do Paranapanema possuem um arsenal de armas israelenses que não podem ser encontradas sequer nas Forças Armadas do Brasil.

Claro que não há grande novidade no fato de que o exército e o serviço secreto de Israel (Mossad) mantêm vínculos com órgãos de repressão aos movimentos populares de países estrangeiros. Foram amplamente noticiados, por exemplo, os sólidos vínculos entre o Mossad e a Dina (polícia política de Augusto Pinochet) e os “agentes especiais” da África do Sul à época do apartheid. A “novidade”, no caso, é sua crescente presença no Brasil. Ela ajuda explicar, aliás, a extrema violência que vem sendo empregada pela PM contra manifestações populares e de estudantes, como foi o caso no dia 20 de abril, na avenida Paulista, quando foram presos 69 jovens (40 dos quais menores de idade) e foram feridos mais de cem, alguns com extrema gravidade (o grande “crime” dos jovens foi o de ter se manifestado contra a Alca).

Graças aos “acordos de cooperação” denunciados por Yahni, os brasileiros estão tendo a oportunidade de sentir na própria pele um pouco do terrorismo que Israel reserva aos palestinos...

 

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