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Geografia - Nelson Bacic Olic


  18/6/2007  Sai o petróleo, entra o milho

Químicos renováveis aumentam participação na indústria

POR SCOTT KILMAN
THE WALL STREET JOURNAL

Agora a gigantesca instalação – que tem uma tubulação suspensa de altura e galpões de metal de 2,5 quilômetros quadrados – também está produzindo o que pode ser a futura grande novidade do mundo rural: uma nova geração de químicos renováveis.

A alta do petróleo, que alimenta a construção de usinas de álcool, está melhorando a viabilidade econômica da fabricação de plásticos, espumas e lubrificantes feitos a partir de produtos agrícolas, em vez de matéria fossilizada enterrada nas profundezas do Oriente Médio.

A soja e o milho estão aparecendo em carpetes, copos descartáveis, sacos para embalar saladas, grama artificial, velas, batons, meias, pranchas de surfe, fluido refrigerante para transformadores elétricos industriais, e até na lataria de colheitadeiras da Deere & Co. Também tem havido uma crescente demanda por embalagens feitas com plástico renovável em grandes varejistas como a Wal-Mart Stores Inc., que recentemente ficaram sensíveis a pressões ambientalistas.

A Cargill, a gigante agrícola americana de capital fechado que tem sede em Minneapolis, vislumbra fabricar milhões de toneladas de químicos renováveis anualmente a partir do milho e da soja. “temos o desejo de enfrentar as empresas químicas em seu próprio campo”, diz Yusuf Wazirzada, que dirige a divisão de polióis de uretano à base de soja da Cargill.

A iniciativa de desviar mais produtos agrícolas para os setores energético e industrial pode levar ao limite a capacidade dos produtores rurais de atender à demanda sem levar os preços das commodities às alturas. E há outros problemas. Para muitos fabricantes, o custo de ajustar seus equipamentos para usar químicos renováveis é proibitivo.

Mesmo assim, o uso de produtos agrícolas para substituir plásticos e outros produtos está animando produtores rurais, muitos dos quais estão ansiosos por diversificar além da produção de alimentos e álcool combustível. Ao mesmo tempo, parece haver motivos mercadológicos para a mudança rumo aos químicos à base de milhos, especialmente como uma proteção contra as incertezas relacionadas ao petróleo.

A Hickory Springs Manufacturing Co. está substituindo alguns dos petroquímicos que usa para fabricar espuma de poliuretano por um composto da Cargill à base de soja.

A fabricante de espuma procurou a Cargill depois que seus fornecedores de químicos elevaram os preços em cerca de 50% depois do Furacão Katrina. “Nós hoje nos damos conta de que não podemos depender de petroquímicos”, diz Bobby W. Bush, um dos vice-presidentes da Hickory Springs.

A varejista Crate & Barrel está começando a vender um sofá recheado com a espuma da Hickory Springs.

A Ford Motor Co. está considerando usar em assentos de veículos a espuma feita com soja. Agora que seus cientistas descobriram como usar raios ultravioletas para eliminar o cheiro rançoso da espuma, o apetite da montadora pela safra pode alcançar milhares de toneladas anualmente.

Faz muito tempo que os cientistas sabem como fazer químicos a partir de plantas. Antes da era do petróleo, as fabricantes extraíam o carbono e o hidrogênio das plantas para fazer tudo que é tipo de produto industrial. Décadas antes de a soja virar um alimento usado por toda a parte, ela era usada para fazer cola e tinta. O celulóide, um antecessor do plástico, veio do algodão. O motor a diesel funcionou primeiro com óleo vegetal.

Avanços tecnológicos, entretanto, estão viabilizando um renascimento dos bioquímicos. A promessa do biodegradável foi abandonada: o argumento agora é a capacidade do material de se decompor sem causar danos numa questão de meses, numa operação industrial de compostagem. Novidades químicas, e a capacidade de criar microorganismos transgênicos que ajudam no processo industrial, estão derrubando os custos e aumentando a gama de biomateriais.

Embora a Cargill esteja apresentando seu plástico derivado do milho como a primeira nova categoria de plásticos desde os anos 70, o novo produto é uma minúscula parte de seu negócio, e o será mim, futuro previsível.

Fonte: O Estado de S. Paulo, 20/04/2007

 

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