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Idéias
- José Arbex Jr.
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17/11/2003
“Socialismo de resultados” quer a adesão do PT
José Arbex Jr.
O Partido dos Trabalhadores quer enfrentar de forma “não-dogmática os grandes desafios do país”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no discurso de abertura do 22º Congresso da Internacional Socialista (IS), dia 27, em São Paulo. Lula atacou o “sectarismo” da esquerda e defendeu o respeito à diferença. “Nas derrrotas do socialismo, sempre a desunião ocupou um lugar importante. Nas vitórias, a unidade foi fundamental”, afirmou diante de 500 pessoas, incluindo 50 chefes de governo e de Estado e representantes de 150 partidos socialistas, social-democratas e trabalhistas.
Não há como discordar da avaliação genérica de que o sectarismo e a falta de unidade das esquerdas sempre contribuíram para as derrotas sofridas pelos trabalhadores. Mas isso não significa que qualquer “união” seja desejável. E impõe-se saber a que “vitórias do socialismo” Lula se refere, ainda mais quando se trata de uma conferência mundial que reúne alguns dos principais responsáveis pela implantação do neoliberalismo na Europa, como é o caso dos partidos socialistas da França (François Mitterrand, Lionel Jospin), Espanha (Felipe González) e Portugal (Mário Soares).
Em nome de uma suposta guerra ao sectarismo e às visões ultrapassadas pela história, especialmente após a queda do Muro de Berlim (9 de novembro de 1989), a IS adotou a perspectiva neoliberal, com alguns resquícios envergonhados de preocupações sociais. O “pragmatismo político” – uma espécie de “socialismo de resultados” – tornou-se o norte da nova internacional, totalmente divorciada da organização socialista criada em 14 de julho de 1889, em Paris, durante as celebrações do primeiro centenário da Queda da Bastilha.
Os “pragmáticos” na nova IS abandonaram os principais postulados do marxismo, incluindo a necessidade de lutar pela unidade mundial dos trabalhadores no quadro da luta de classes, com o objetivo de conquistar o poder político e promover a mudança radical e revolucionária do mundo e da vida. Da IS de 1889 – aquela que instituiu o 1º de maio como Dia do Trabalhador e dirigiu grandes jornadas internacionais de luta - mal resta um palavreado oco, sem qualquer substância de esquerda.
Não por acaso, os “novos socialistas” resolveram fazer o seu congresso no Brasil. O seu objetivo é cooptar organicamente o PT, que, segundo o seu presidente, José Genoíno, já foi convidado e estuda a proposta. Atualmente, o Partido Democrático Trabalhista de Leonel Brizola é o único integrante brasileiro da IS. A eventual adesão do PT à IS, caso ocorra, marcará uma nova etapa na história do partido. Com a voz ampliada pelo poder da organização internacional, o PT ganharia uma nova relevância no âmbito mundial, especialmente na qualidade de “bombeiro” e apaziguador dos movimentos revolucionários na América Latina.
Mas não é essa a essência do “socialismo de resultados”?
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