Imprima essa página !

 



Fale Conosco


Créditos
Idéias - José Arbex Jr.


  17/3/2003  Os 50 motivos de Bush para o ataque ao Iraque

Dalberto Christofoletti

1 – Expandir a influência americana num território considerado fechado para os interesses dos EUA.
2 – Estabelecer o controle sobre os 150 bilhões de barris de petróleo que poderão ser encontrados no subsolo iraquiano, gerando uma receita de aproximadamente 5 trilhões de dólares (considerando a cotação atual do barril de petróleo).
3 – Cercar estrategicamente o Irã, já que os EUA já possuem bases no Afeganistão, Paquistão, Turquia e Armênia.
4 – Conceder independência ou autonomia para a minoria curda no Iraque, atenuando o desgaste político dos EUA pelo desprezo dispensado aos palestinos, outro povo sem pátria.
5 – Impedir que o Iraque desenvolva armas de destruição em massa (nucleares, biológicas e químicas).
6 – Garantir a reeleição de George W. Bush em 2004, imaginando que o presidente, devido à guerra, se apresentaria como o líder destemido da nação mais poderosa do mundo.
7 – Cortar o financiamento que o Iraque oferece aos grupos terroristas palestinos, atendendo ao lobby interno pró-Israel.
8 – Proporcionar altos lucros para a indústria bélica dos EUA, grande patrocinadora do Partido do Presidente, o Republicano.
9 – Testar as novas tecnologias militares, especialmente os recentes mísseis balísticos, as cabines digitais dos caças de ataque e o avião robô Predador.
10 – Desqualificar a ONU como entidade soberana capaz de intervir nos diversos conflitos ao redor do planeta.
11 – Isolar o governo social-democrata da Alemanha e o direitista da França, mostrando ao mundo que é os EUA quem dá as cartas na geopolítica contemporânea.
12 – Terminar o trabalho começado pelo pai do atual presidente na Guerra do Golfo de 1991. Portanto, também se trataria de uma “questão de honra” para a família Bush.
13 – Amedrontar a Coréia do Norte, fazendo-a desistir de seu embrionário programa nuclear.
14 – Controlar as ricas reservas hídricas do Iraque (principalmente o Rio Tigre e Eufrates). Lembre-se de que a água é um produto raro e caro no Oriente Médio.
15 – Dissipar finalmente a ameaça de uma invasão iraquiana ao Kuwait, presente desde o fim da Guerra do Golfo.
16 – Encurralar a Síria (considerado pelos EUA, país que financia atividades terroristas), que assim como o Irã ficaria circundada por países com regimes pró-EUA.
17 – Reforçar a imagem do Partido Republicano e, em especial, da família Bush, preparando um sucessor para o atual presidente (após sua reeleição). Alguns estudiosos dizem que será Jeb Bush, irmão do presidente e governador da Flórida.
18 – Dar uma resposta ainda mais sonora que o ataque contra o Afeganistão aos fundamentalistas islâmicos, fomentadores do antiamericanismo militante, muito em voga no mundo atual.
19 – Fortalecer as empresas petrolíferas americanas (Exxon Mobil, Chevron Texaco, Standard Oil etc). Vale ressaltar que elas possuem inúmeros poços petrolíferos no Texas, curral eleitoral do clã Bush.
20 – Resolver definitivamente a “questão iraquiana”, presente desde o fim da Guerra do Golfo.
21 – Responder violentamente aos ataques de Saddam Hussein e da mídia iraquiana (por ele controlada) contra os EUA.
22 – Continuar o ciclo de expansão territorial e econômica iniciada com o “Far West” norte-americano.
23 – Garantir que a minoria sunita (sem a liderança de Saddan) continue hegemônica no Iraque, mantendo débeis as lideranças xiitas (visceralmente antiamericanas).
24 – Estabelecer rotas seguras no Golfo Pérsico para petroleiros e superpetroleiros.
25 – Eliminar supostas bases da organização terrorista multinacional Al Qaeda, liderada por Osama Bin Laden, embora o governo dos EUA ainda não tenha provado a existência de tais campos de treinamento.
26 – Impedir o lançamento de mísseis contra Israel (tradicionais aliados dos EUA) a partir do norte do Iraque.
27 – Diminuir a dependência do petróleo saudita.
28 – Preservar suas reservas estratégicas internas de petróleo.
29 – Não ficar a mercê do petróleo oriundo da Venezuela, país que enfrenta grande instabilidade política e tem um presidente ferrenhamente contrário a política dos EUA.
30 – Abrir o mercado iraquiano para as empresas transnacionais norte-americanas.
31 – Solapar o exemplo de nações que pretendem seguir políticas independentes em relação a Washington.
32 – Com o possível sucesso da operação militar no Iraque, viria o enfraquecimento das posições pacifistas defendidas por americanos ilustres (contrárias aos interesses dos republicanos), como o ex-presidente Jimmy Carter (ganhador do Nobel da Paz – 2002).
33 – Recriar o clima de tensão nas relações internacionais existente no período da Guerra Fria, justificando novos investimentos nos setores militares.
34 – Fomentar o patriotismo e o nacionalismo exarcebado.
35 – Espalhar a democracia liberal pelo mundo, numa versão adaptada às ambições americanas.
36 – Aumentar a presença dos EUA no Oriente Médio, área considerada estratégica pela questão petrolífera e pelo avanço do islamismo.
37 – Alertar outros ditadores históricos como Muamar Kaddafi (Líbia, no poder desde 1969) e Fidel Castro (Cuba, desde 1959) a respeito dos perigos de se desafiar as posições estadunidenses.
38 – Reforçar a autodenominação de “nação líder do mundo livre”, combatendo o regime totalitário de Saddan Hussein.
39 – Transformar a OTAN em títere dos objetivos americanos, estabelecendo uma base segura dentro da União Européia, sua rival econômica.
40 – Enfraquecer os negócios russos no Iraque, abrindo espaço para grupos americanos.
41 – Elevar o preço do barril de petróleo, garantindo altos lucros para as grandes distribuidoras de petróleo dos EUA.
42 – Dinamizar a economia dos EUA com os preparativos de guerra, desafogando-a de uma prolongada recessão.
43 – Prestigiar as Forças Armadas norte-americanas que sempre serviram como ponta-de-lança do imperialismo e colonialismo do Tio Sam.
44 – Impedir que o Iraque receba inovações tecnológicas no setor militar dos inimigos políticos dos EUA, como a Coréia do Norte e China. Isso já vem acontecendo, o que provoca o fortalecimento de países que estão fora da esfera de influência dos EUA.
45 – Expandir o alcance do ideário da direita reacionária.
46 – Dominar o Oriente Médio e a Ásia Central, anexando economicamente essas regiões e formando uma muralha à penetração do dínamo econômico chinês.
47 – Justificar os pesados gastos governamentais coma máquina de guerra, especialmente com os gigantescos porta-aviões.
48 – Corrigir o erro histórico de ter treinado, financiado e equipado as tropas do ditador Saddan Hussein.
49 – Criar a idéia para o mundo que os Estados Unidos são tão poderosos que a única alternativa para os países é se alinharem a ele, “compartilhando” sua pujança econômica.
50 – Por fim, parodiando Nietzsche, é a vontade de poder se tornar um novo César que move Bush, mas ele pode acabar como o seu homônimo, de sobrenome Armstrong Custer.

Dalberto Christofoletti é professor de Geografia e Geopolítica do Colégio Puríssimo – Rio Claro/SP, do COC – Araras/SP e Cesário Coimbra – Araras/SP

 

Idéias - Outras Notícias

30/8/2010 Lula e o cordial “fascismo à brasileira”

10/8/2010 Desigualdade racial deve ser criticada do ponto de vista do mundo do trabalho, diz Mário Maestri

2/6/2009 A “ditabranda” mostra as suas garras

5/5/2009 A “ditabranda” mostra as suas garras


13/4/2009 As bombas químicas de Israel

23/3/2009 O circo (i)mundo de horrores

10/11/2008 O novo está aqui, na América Latina

26/8/2008 O novo está aqui, na América Latina

22/8/2008 A Groenlândia e as mudanças climáticas

2/7/2008 A América Latina entre a ruptura e uma nova utopia capitalista


4/6/2008 Viva Paraguay!

22/4/2008 Mate 120 palestinos e descanse

10/3/2008 À sombra do Carandiru

21/11/2007 Volver a los 17?

11/10/2007 6 milhões pela reestatização da Vale

18/9/2007 A Vale é nossa

5/6/2007 Ponha sangue no seu motor ! A tragédia dos necro-combustíveis


8/5/2007 Morte ao ECA, viva a escravidão!

26/6/2006 ONG denuncia assassinatos, agressões e perseguições de jornalistas no Brasil

3/4/2006 Tão tirando uma na minha cara.

5/12/2005 Maradona 10 x Bush 0

24/10/2005 Adeus às ilusões

12/9/2005 E agora, José?

13/6/2005 A nova corrida armamentista

9/5/2005 O velho amigo de Henry Kissinger

3/4/2005 O espectro do anti-semitismo ameaça o mundo

28/2/2005 O fantasma da liberdade

18/10/2004 Plano Patriota prevê nova escalada militar na Amazônia

23/8/2004 Fiasco põe neocons de Bush na berlinda

13/4/2004 Brasil aceita a farsa no Haiti

8/3/2004 Brasil aceita a farsa no Haiti

9/2/2004 Bush impõe adesão de Quito ao Plano Colômbia

12/1/2004 À sombra de Stalin

24/12/2003 Retratos da Venezuela

17/11/2003 “Socialismo de resultados” quer a adesão do PT

15/9/2003 Antes que seja tarde

25/8/2003 Perspectivas imperiais

21/7/2003 Rádio Muda

10/6/2003 POVOS ESTÃO À FRENTE DE SEUS LÍDERES

13/5/2003 A ALCA e o BRASIL

14/4/2003 Jornalistas na cama do Exército, como as prostitutas

17/2/2003 Um front para lá de Bagdá

20/1/2003 Reinventando o Brasil e o mundo sem pedir licença

16/12/2002 Alca, uma gaiola de ferro

18/11/2002 ENCONTRO CONTINENTAL OUTRA AMÉRICA É POSSÍVEL

21/10/2002 Sharon prepara a deportação de palestinos

16/9/2002 Barbárie

19/8/2002 FHC entrega Base de Alcântara a Tio Sam

15/7/2002 O golpe de Estado permanente

17/6/2002 "A sociedade Palestina está sendo desmantelada"

21/5/2002 Das pedras de Davi aos tanques de Golias

15/3/2002 A estratégia de Washington para a América Latina

1/3/2002 O preço de uma paz verdadeira

15/2/2002 Da Justiça à democracia, passando pelos sinos...

1/2/2002 Israel y Estados Unidos: una relación única

15/1/2002 Carta de Israel: El asesino de Muhammad

1/1/2002 Um conto de Natal

15/12/2001 A morte de uma baleia

30/11/2001 Shalom Salam Paz

15/11/2001 A Batalha de Doha

30/10/2001 De ópios e ópios

15/10/2001 Terror local, resposta global

28/9/2001 Terrorismo, um legado da história

7/9/2001 Coisas que a mídia adora “esquecer” sobre o conflito israelo-palestino

24/8/2001 Mussolini e os “arapongas” da União Européia

3/8/2001 “Eles não querem só minha morte. Eles querem o meu silêncio”

13/7/2001 Ainda o imperialismo

22/6/2001 “Imperialismo” está fora de moda

1/6/2001 Israel: terrorismo para exportação

18/5/2001 A razão cínica de FHC

4/5/2001 No país da Senzala

20/4/2001 Estratégias da ilusão

7/4/2001 O funk e a crítica


  Revista Pangea

Copyright Pangea. Todos os direitos reservados.