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Idéias
- José Arbex Jr.
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21/10/2002
Sharon prepara a deportação de palestinos
O plano de “pacificação” arquitetado por Ariel Sharon é de uma simplicidade terrível: simplesmente, expulsar para a Jordânia centenas de milhares de palestinos que hoje vivem nos territórios ilegalmente ocupados por Israel, tão logo sejam intensificados os ataques dos Estados Unidos ao Iraque. Sharon terá uma “justificativa” para o ato de deportação em massa: a presença dos palestinos será “denunciada” como uma “ameaça inaceitável à segurança de Israel”. Outra alternativa será o arranjo “interno”, isto é, a deportação de palestinos de uma região para outra dentro dos territórios ocupados, com o objetivo de ampliar as áreas de assentamentos israelenses ilegais e desorganizar a resistência palestina.
Os detalhes do plano de Sharon foram “vazados” pelo serviço secreto da Jordânia para os órgãos de informação ocidentais. A notícia foi divulgada pelo jornalista e escritor irlandês Gordon Thomas, editor do boletim eletrônico Globo – Intel, edição 160, de 20 de agosto (http://www.gordonthomas.ie/160.html). Thomas é ex-correspondente da BBC e autor de 53 livros que, no total, venderam mais de 40 milhões de cópias em todo o mundo, incluindo uma descrição dos trabalhos do Mossad, serviço secreto israelense, que deu origem a um documentário feito pelo Channel Four britânico.
“O rei Abdullah II da Jordânia revelou os seus temores sobre as intenções de Israel, durante sua recente visita a Londres. Ele disse a Tony Blair e ao presidente Bush que qualquer ação militar destinada a remover Sadam Hussein abriria ‘uma caixa de Pandora que transformará o Oriente Médio em barril de pólvora. A eventual expulsão de Arafat e dos palestinos provocará uma revolta no Oriente Médio contra qualquer coisa que venha do mundo ocidental’, diz um agente sênior do serviço secreto jordaniano. (...) Sob pressão dos Estados Unidos, Abdullah permitiu que 4 mil soldados estadunidenses montassem uma base ao sul do deserto da Jordânia. Eles estão se preparando para atacar o Iraque. Com eles, há 200 soldados das forças especiais britânicas, cuja missão é preparar a entrada em Bagdá quando o conflito começar”, afirma Thomas. Ameaçado pelo “plano Sharon”, pressionado pelos Estados Unidos e ameaçado por seus vizinhos árabes, o rei jordaniano enfrenta a possibilidade de perder o seu reino, ou mesmo presenciar a desintegração de seu país, com 5 milhões de habitantes.
As previsões do rei Abdullah refletem uma situação real. Se o atentado de 11 de setembro serviu para alguma coisa, foi para mostrar que não há sistema de segurança capaz de evitar a ação decidida de um grupo de homens dispostos a ir até o fim. O “plano Bush” ameaça, de fato, abrir uma “caixa de Pandora” que, depois, dificilmente será fechada. Pelo menos, não antes de produzir tragédias imensas.
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